Novas Regras Ortográficas

Muito se fala de que o motivo das recentes mudanças nas regras ortográficas da Língua Portuguesa surtiram de acordos internacionais para unificação da escrita entre os países de origem lusitana.

Claro, se todos esses países já tinham uma escrita moderna, seria natural puxar a orelha do Brasil para que se modernizasse também. (Mas não se coloca dessa forma). Foi um acordo internacional, dizem.

Sintomático é de que eu venho dizendo há décadas, desde que vim morar aqui em 1980, que o português Brasileiro é falho, suas regras são imperfeitas, cheias de exceções contraditórias. Atribui-se também a chamada “evolução” do idioma através da manifestação popular. Os professores do tipo “Pascoal” apressam-se a justificar as mudanças e ponderar as inúmeras variantes, sem perder a pompa da erudição. Toda língua está em permanente transformação…para o bem. Ora, num país erudito, se pode falar em evolução. No Brasil a massa do povo é a maioria que domina a expressão e a transmissão.

Num país como o Brasil, as mudanças nas regras acontecem por um predomínio popular da transmissão “errada” de determinada ortografia ou sintaxe, ao ponto que ela se torna tão popular e comum que é incorporada ao idioma.

Por exemplo, a palavra “ótimo” que na década de 1940 escrevia-se “óptimo” (como no espanhol) , e outras tantas similares, foram modernizadas pela constante escrita errada de ignorantes engolindo o “p”…de uma forma repetitiva a nível nacional, ao ponto que os da Academia disseram…”sabe de uma coisa, então que se escreva sem o “p” e ponto final.” Muitos exemplos similares, as duas “ll” o “y” pelo “i”, etc. Ator, que antes se escrevia “actor”, (como no espanhol), alguém esqueceu o “c” e passou pra frente, e por ai vai. Cada mudança ora é uma vitória da ignorância interna, ou uma simplificação prática já adotada nos vizinhos.

Em 2009 as novas regras ortográficas só vieram a confirmar esta observação. Extingue-se o trema, por exemplo. Longe de unificar as palavras com nossos pares da Angola (?) ou Lisboa, a realidade é de que o Português sucumbiu à lógica de que seqüestro, agora se escreve “sequestro”, como no espanhol, mantendo o “q” pelo “c”. Tranqüilo, “tranquilo”, como no espanhol. Los hermanos tinham razão. E virão mais influências hispânicas neste milênio, provavelmente acabando com os excessos de acentuação do idioma, tornando-o mais…Coerente. Não é a toa que tendo sido alfabetizado no espanhol, percebi desde cedo a incongruência da minha língua natal e por isso jamais a valorizei com entusiasmo.

Talvez se vivesse em outra época, futura, morta estas gerações, enxergaria uma língua diferente, possivelmente um portunhol. Sei que de nada me vale agora esta visão futurista desde criancinha. Sou reprovado em qualquer prova de português. Inclusive nos testes de QI, que tomam o conhecimento da língua como base de medição do conhecimento.

Por isso estas “novas regras” apenas me surpreendem pelo atraso em sua chegada.